|
O QUE REDE MINISTERIAL NÃO É...
Não
é uma nova filosofia, ou uma nova maneira de se fazer igreja.
Também
não é um método porque não se trata de "regras", nem de "como
fazer".
Não
é mais um modismo a ser “copiado” .
Não
é uma estratégia para crescimento de igreja.
E
também não é um processo organizacional porque nada é sugerido em termos de
organização.
O QUE É REDE MINISTERIAL...
Rede
Ministerial poderia ser definida como UM PROCESSO QUE VIABILIZA O PRINCÍPIO
BÍBLICO DO SACERDÓCIO DE TODOS OS CRENTES. É a tentativa de resgatar a
consciência de que TODOS são chamados, ordenados e vocacionados por Deus, e não
apenas um "clero" com formação teológica.
Como se trata
essencialmente de VALORES e PRINCÍPIOS, pode ser implementada em qualquer
estrutura eclesiástica (padrão tradicional, igreja em células, igreja com
propósitos, etc...).
A utilização dos
princípios da Rede fará com que o trabalho no Reino de Deus deixe de ser feito
apenas por um grupo “eleito” em assembléia, mas passe a ser realizado por todo
o corpo. Cada pessoa é integrada em um ministério e ali passa a exercer o seu
dom espiritual.
A
essência da Rede está em seus valores; a maneira como cada igreja irá viver e
aplicar tais valores, dependerá do contexto de cada realidade. A Rede
Ministerial propõe/sugere a utilização de um processo de três passos:
Descoberta, Consultoria e Serviço:
DESCOBERTA
Trata-se de um curso de,
no mínimo, oito horas de duração, onde cada participante é levado a descobrir o
seu Perfil de Servo: sua paixão
ministerial, seus dons espirituais e seu estilo pessoal. Se você
agir dentro da sua área de paixão, servirá com maior entusiasmo, Ao usar seus
dons espirituais servirá com mais competência, e ao trabalhar de forma coerente
com seu estilo pessoal, servirá com maior liberdade. Conhecer-se a si mesmo e
descobrir seu perfil de servo será uma benção para a pessoa individualmente,
para a igreja corporativamente e para o mundo coletivamente.
O material para este
curso está disponível nas Editoras Vida e Ekklesia (vide endereço no link
“Biblioteca”).
CONSULTORIA
Após ter concluído o
curso, o “voluntário” é chamado para um encontro com um consultor. Neste
encontro, o consultor irá conversar com o “voluntário”, tirar possíveis
dúvidas, ajudar, orientar, e o encaminhar: ou para um ministério existente na
igreja ou para a formação de um novo ministério. A consultoria é um elo de
ligação entre o “voluntário” e os ministérios.
SERVIÇO
O alvo é servir – após
descobrir o seu perfil e o lugar onde ele pode servir na igreja, o “voluntário”
é integrado em uma determinada área da igreja, e então começa a exercer o
ministério para o qual foi vocacionado.
O QUE MUDA NA PRÁTICA?
1) RESPEITO
Entende-se que cada
membro da igreja, é livre para fazer parte do ministério que mais se adeqüe ao
seu perfil. Não há uma cobrança por parte da igreja para que alguém que, por
exemplo, não tenha o dom da misericórdia nem do aconselhamento, faça parte do
grupo de visitação a hospitais... Nem há uma “exigência” para que todas as
mulheres da igreja freqüentem o grupo de mulheres... Os membros da igreja não
se limitam a freqüentar os ministérios que a igreja possui, mas eles escolhem,
dentre os ministérios da igreja, aquele(s) com a qual ele se identifica e que
gostaria de trabalhar.
Além disso, cada pessoa
recebe a liberdade de colocar em prática seu próprio sonho. Por exemplo: alguém
que se identifica com educação física, pode montar um grupo de ginástica na
igreja – para abençoar os membros da igreja e alcançar a comunidade... Alguém que goste de skate, pode organizar uma
“escola de skate”, um grupo para competições, eventos, etc... com o objetivo de
alcançar e evangelizar um grupo específico de skatistas... E assim por
diante... Os ministérios são criados a partir do dom espiritual e dos sonhos
que Deus colocou em cada coração.
2) ORGANIZAÇÃO INTERNA DOS MINISTÉRIOS
Cada ministério precisará
ter o seu próprio regimento interno (plano estratégico, plano operacional,
normas e diretrizes, ou qualquer outro nome que a igreja achar conveniente).
Exemplo do Regimento
Interno dos Ministérios da Terceira Igreja Batista de Marília (SP):
NOME DO MINISTÉRIO:
Propósito:
Razão pela qual seu ministério existe, responde à
pergunta: Qual a razão de ser do ministério?
Missão:
Estratégias usadas para cumprir o propósito,
responde à pergunta: O quê o seu ministério realiza?
Bases
Bíblicas:
Todo ministério deve existir fundamentado nas
Escrituras. Qual(is) o(s) texto(s) bíblico(s) que serve(m) como justificativa
para o funcionamento do seu ministério?
Público
Alvo:
Um ministério tem como objetivo ministrar a um
determinado grupo de indivíduos. A quem seu ministério pretende atingir? Quem
deseja alcançar? Especifique.
Composição:
O ministério deve estar sempre de portas abertas
para receber novos “voluntários”. Há algum critério para estes voluntários? Que
tipo de pré-requisitos a pessoa deve possuir para ingressar no ministério?
Metas:
Traçar metas é o ponto de partida para qualquer
ministério que deseja ser produtivo. Verifique quais são os objetivos que
pretendem ser alcançados. Trabalhe com alvos mensuráveis, ou seja, alvos
concretos e específicos, que podem ser medidos e avaliados.
Líder:
(nome do líder)
Atuais
membros do Ministério:
(quem compõe atualmente este ministério)
Ministério
Coordenador:
A que área organizacional seu ministério pertence.
3) O MÉTODO DE ESCOLHA DOS LÍDERES:
Com o emprego da Rede, a maioria das igrejas tem
entendido que o método de eleição anual está longe de ser o ideal, e cada
localidade tem encontrado soluções alternativas. Para a escolha da liderança,
talvez o mais adequado é que os líderes sejam escolhidos pelo próprio
ministério, com a orientação e aprovação do(s) pastor(es) responsável(is) por
aquela área e pelo pastor (presidente) da igreja. É importante que os líderes
estejam caminhando na mesma visão da igreja, por isso é importante que a
escolha não seja feita à revelia da liderança já constituída. O critério de
escolha de cada líder vai depender de cada contexto, mas deve-se observar
sempre: a maturidade espiritual, motivação, dons espirituais (especialmente o
de liderança) e estilo pessoal de cada um. O tempo de atuação de cada líder de
ministério deixa de ser anual, e passa a ser indeterminado, salvo se o próprio
ministro pedir desligamento ou assim determinar (por algum motivo) o Conselho
de Pastores (ou a liderança da igreja). Fica extinta a chamada “Comissão de
Indicação”. Obs.: No Regime Estatutário da maioria das igrejas,
consta a obrigatoriedade da eleição da diretoria (presidência, tesouraria e
secretaria), o que pode continuar acontecendo normalmente.
4) MÉTODO DE ESCOLHA DOS COMPONENTES DE CA DA MINISTÉRIO:
Com o fim da Comissão de Indicações, e da eleição
anual, a composição de cada ministério se dá através: da indicação voluntária
da própria pessoa, da indicação da consultoria, ou a convite do próprio líder,
respeitando-se sempre o regimento interno do ministério e o perfil básico do
membro (paixão ministerial, dons espirituais e estilo pessoal). Cada ministério
deve possuir sempre uma “cadeira vazia”, ou seja, estar sempre aberto para a
entrada de novas pessoas no grupo.
O próprio ministério poderá definir se haverá ou
não um tempo mínimo em que o voluntário deverá comprometer-se em ficar no
ministério: quando o crente vai para uma posição ministerial, ele decidiu voluntáriamente
e após isso ele assume um compromisso com aquele atividade por um determinado
tempo, renovando seu compromisso ou não após aquele tempo. Se precisar sair,
entretando, basta conversar com o líder do ministério e apresentar suas razões
e ele será orientado/ministrado.
5) ORGANIZAÇÃO DA ESTRUTURA ECLESIÁSTICA:
De um modo geral, antes da Rede, as igrejas
possuíam uma certa estrutura organizada (ministérios e departamentos montados),
e a cada nova eleição, encaixava-se os obreiros para trabalharem em cada área.
Com a Rede, esta estrutura torna-se mais flexível. Ministérios podem surgir ou
deixarem de existir, de acordo com aquilo que o Espírito Santo colocar no
coração dos “voluntários”. Desta forma,
cada igreja local deverá estabelecer os critérios para a formação de um novo
ministério.
Processo para a organização de um novo ministério,
adotado pela Terceira Igreja Batista de Marília:
a) Apresentação da proposta para a consultoria;
b) Acompanhamento de um pastor ou ministro,
escolhido pela consultoria, para orientação espiritual, c) supervisão e auxílio
durante o processo de formação;
d) Preenchimento do Material Inicial e Elaboração
do Regimento Interno;
e) Apreciação e aprovação do Projeto pela
Consultoria;
f) Apreciação e aprovação do Projeto pelo Conselho
de Pastores;
g) Apresentação do novo ministério à igreja para
reconhecimento oficial.
6) SÓ ALEGRIA!!!
No mais, é só alegria!
Demora um pouco até que todos se familiarizem e se acostumem a estes novos
conceitos e a esta nova maneira de ser igreja. São muitos os ajustes a serem
feitos na fase inicial, e com o passar do tempo, a igreja deve estar sempre
aberta para que ajustes necessários continuem sendo feitos. O importante é a
certeza de que se está no caminho certo. A paciência, flexibilidade e a
capacidade de rir com os próprios erros são virtudes que precisam estar sempre
presentes.
O fundamental em todo o
processo, é a orientação e supervisão do Espírito Santo de Deus, pois só Ele
sabe o que é melhor para cada realidade.
|